Primavera das artes em São Paulo: 8 exposições imperdíveis para aguçar o olhar estético em setembro

Da arte têxtil monumental de Sheila Hicks ao resgate histórico da pioneira Lita Cerqueira e a arte de vanguarda no MASP, Pinacoteca e MAM: confira um roteiro completo pela efervescência cultural da capital paulista.

Quem acompanha o HOMODA sabe que estilo, moda e design nunca caminham sozinhos: eles bebem diretamente da fonte das artes visuais, da arquitetura e da memória histórica. Em setembro, a cidade de São Paulo reafirma sua vocação como grande capital cultural da América Latina ao inaugurar e manter em cartaz mostras que desafiam convenções, resgatam ancestralidades e exploram novas matérias-primas — das tramas têxteis à luz da fotografia clássica.

Preparamos um roteiro curado com algumas exposições em cartaz na cidade que todo entusiasta de estética, história e comportamento precisa visitar neste mês.

Ofício: Luz: Lita Cerqueira: Direito de Olhar (Sesc Pompeia)

Uma das maiores pioneiras da fotografia brasileira ganha merecida celebração em São Paulo. Nascida em Salvador em 1952, Lita Cerqueira construiu mais de 50 anos de trajetória registrando o cotidiano, manifestações populares e, sobretudo, a potência e a diversidade da presença negra no país. Com um olhar sensível e documental, Lita fotografou ícones da nossa música como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Elza Soares, além de atuar no cinema nacional. A mostra destaca como sua lente foi fundamental para desconstruir estereótipos e inaugurar novas narrativas visuais na fotografia brasileira.

Reprodução | Sesc Pompeia/Instagram
  • Onde: Sesc Pompeia
  • Quando: em cartaz até 13 de setembro de 2026
  • Entrada: Gratuita
  • Mais informações aqui

Histórias latino-americanas (MASP)

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, no Edifício Pietro Maria Bardi, uma reflexão monumental sobre as identidades do nosso continente. A coletiva reúne 187 trabalhos de 148 artistas para investigar como processos de colonização, movimentos migratórios e atos de resistência forjaram narrativas visuais plurais pela América Latina.

Obra El Viejo Griot, de Daniel Lind-Ramos.
Coleção do artista, cortesia Max Levai Gallery, Nova York.
  • Onde: MASP (Edifício Pietro Maria Bardi)
  • Quando: até 31 de janeiro de 2027
  • Mais informações aqui

39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito (MAM São Paulo)

Marcando a reabertura da sede do Museu de Arte Moderna no Parque Ibirapuera, a 39ª edição do tradicional Panorama tem curadoria assinada por Diane Lima (também curadora do pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza). Sob o tema “Depois que tudo foi dito”, a mostra reúne 33 artistas fundamentais da cena contemporânea, como Jota Mombaça, Ana Claudia Almeida e a própria Lita Cerqueira.

Duas senhoras da Boa Morte, de Lita Cerqueira.
Foto: Lita Cerqueira
  • Onde: MAM São Paulo (Parque Ibirapuera)
  • Quando: até 24 de janeiro de 2027
  • Mais informações aqui

Sheila Hicks: Autobiografia de um fio & O que que é isso? (Galeria Nara Roesler e Instituto Tomie Ohtake)

A mestre norte-americana da arte têxtil Sheila Hicks ocupa simultaneamente dois endereços de prestígio em SP. No Instituto Tomie Ohtake, a exposição “O que que é isso?” reúne cerca de 30 obras produzidas ao longo de seis décadas, com curadoria de Ana Roman, Luis Pérez-Oramas e Paulo Miyada. Já na Galeria Nara Roesler, Pérez-Oramas assina a mostra “Autobiografia de um fio”, apresentando mais de 20 criações recentes e inéditas compostas por fios, cordas e volumes cromáticos exuberantes.

Obra Crescendo, de Sheila Hicks.
Foto: Tatiana Mito
  • Onde: Instituto Tomie Ohtake (até 25 de outubro) | Galeria Nara Roesler (até 24 de outubro)
  • Mais informações do instituto e da galeria

Bandeira Branca — Luana Vitra (Pinacoteca Luz)

No monumental pátio de tijolos aparentes da Pina Luz, a artista Luana Vitra apresenta uma instalação site-specific concebida com curadoria de Pollyana Quintella. A obra propõe uma profunda reflexão sobre extrativismo, colonialismo e as formas de vida que resistem e emergem dessas dinâmicas. O trabalho é fruto do programa de residência anual voltado a mulheres artistas desenvolvido pela Chanel em parceria com a Pinacoteca.

Vista da exposição Bandeira Branca.
Foto: Levi Fanan / Pinacoteca
  • Onde: Pinacoteca Luz (Edifício Pina Luz)
  • Quando: até 31 de janeiro de 2027
  • Mais informações aqui

Rembrandt – O mestre da luz e da sombra (Caixa Cultural São Paulo)

Para quem aprecia as bases do chiaroscuro e da composição clássica, a Caixa Cultural traz uma seleção de 69 gravuras originais produzidas entre 1629 e 1665 pelo mestre holandês Rembrandt van Rijn. A exposição conduz o público pela maestria técnica da gravura e pelo estudo anatômico e psicológico da condição humana.

Obra A Ressurreição de Lázaro, de Rembrandt.
Foto: Divulgação.
  • Onde: Caixa Cultural São Paulo (Centro)
  • Quando: até 27 de setembro
  • Mais informações aqui

Zanine Caldas – Criação de mundos (Casa-ateliê Tomie Ohtake)

Um mergulho indispensável no design e na arquitetura modernista brasileira. A exposição dedicada ao arquiteto autodidata e designer José Zanine Caldas reúne mobiliário autoral, maquetes, desenhos, registros fotográficos e filmes que percorrem a relação do criador com a madeira maciça, sustentabilidade e inovação estrutural.

Foto: Déa Zanine
  • Onde: Casa-ateliê Tomie Ohtake
  • Quando: até 7 de novembro
  • Mais informações aqui

Elos — Dupla Pirilampos do Planeta (Farol Santander)

Instalada no hall de entrada e na galeria do 24º andar do emblemático edifício no Centro histórico, a mostra da dupla Pirilampos do Planeta conta com nove instalações imersivas produzidas a partir de cerca de quatro toneladas de resíduos recicláveis, materializando conexões visuais e luminosas entre a natureza e as relações humanas.

Vista da exposição Elos.
Foto: Giovana Carvalho
  • Onde: Farol Santander (Centro)
  • Quando: até 22 de novembro
  • Mais informações aqui

Seja nos têxteis imersivos de Sheila Hicks ou nos contrastes documentais em preto e branco de Lita Cerqueira, mergulhar nesses espaços é a melhor forma de calibrar o repertório visual e entender que arte e moda continuam sendo manifestações inseparáveis do nosso tempo.

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